Já fazem 4 anos que estou solteiro. Uns dois e meio que estou realmente solteiro. Sem ninguém pra falar “te amo”, sem uma companhia pra passar o domingo morto na cama vendo televisão. E sinceramente? Foram os melhores anos da minha vida. Não que eu não goste de estar acompanhado, até porque em todo esse tempo solteiro poucas foram as ocasiões em que eu estive de fato sozinho.

Sempre tem alguma pessoa que eu dou minhas escapadas aos finais de semana, alguém pra correr se a carência bater, alguém pra fazer umas idiotices, alguém que o coração bate mais forte. Não necessariamente a mesma pessoa para todos os casos e nem que eu tenha mil “contatinhos” pra contar, muito pelo contrário, com o avançar do tempo eu perdi um pouco a paciência e comecei a apreciar os momentos em que eu estou sozinho.

Vou ao cinema, a restaurantes, viajo e principalmente eu vivo sozinho às vezes e isso foi essencial pra eu entender uma das maiores verdades que já li. Não vou me lembrar aonde li ou como estava escrito, mas circulava na ideia de que você tem que se sentir bem sozinho. Se a sua companhia não for agradável a você mesmo, ninguém vai se sentir bem com ela.

Um dos pilares de um relacionamento é isso, fazer o outro se sentir bem. Não é buscar complemento, é buscar suplemento. Alguém que te fortaleça, não que te complete, ninguém nesse mundo servirá de apoio, não existe uma peça que se encaixe no seu quebra cabeça e sim um outro quebra-cabeça que vai deixar o seu mais bonito ainda. Não é sobre buscar a outra metade da laranja, mas alguém que venha com o morango e faça uma batida.

Óbvio que eu tenho meus dias, tenho dias que odeio não ter alguém pra dividir a cama, que fico puto por não conseguir fazer meus almoços pra dois ou bate aquela saudade de ficar bêbado e apagar o fogo no chuveiro. Às vezes eu até consigo arrumar uma pessoa pra cumprir essas pequenas faltas, mas às vezes eu só deixo passar. Aprendi a curtir uma balada sem ficar bêbado, a viajar sem ter que ficar preso ao celular, pode soar meio idiota, mas me tornei uma pessoa mais observadora e atenta aos detalhes.

Eu não vou cair nesses clichezões de textos enaltecendo a solteirice como um estilo de vida. Até porque não é, é um momento, é uma passagem. Eventualmente eu vou namorar de novo e depois ficar solteiro e depois namorar… Ou não. Não sei, nem o meu almoço de amanhã, vou saber como estarei daqui 10 anos? Estar 100% no seu presente, será o diferencial pro seu futuro. Antes de querer ter alguém, a gente deve ser alguém.

Acumular experiências, conhecer novas línguas (em todos os sentidos que essa frase pode transmitir), descobrir lugares novos, com pessoas novas, fazer amigos, aprender a cozinhar, cuidar do seu corpo, da sua alma.

Esses textos “amo ser solteiro” normalmente pegam pontos como “Gosto de poder sair pro bar a hora que eu quiser” e que porra de relacionamento será o seu se você não tiver essa liberdade? Óbvio que tem lá as suas diferenças, mas desculpa. A diferença entre estar solteiro ou em um relacionamento não deve ser a sua liberdade, mas sim o tipo de forma como você aproveitará o momento. É muito bom sim estar com alguém ao teu lado, mas não negarei nunca que viver sozinho também tem suas vantagens. Viver sem se preocupar com o que alguém vá pensar, viver sem aquela pontadinha de ciumes, viver leve. E nem vem me falar que você não tem ciumes. Todo mundo tem aquele espetinho de ciumes e quem não tem, desculpa, mas falta um coração aí.

Eu realmente não fui feito pra viver solteiro e sei disso. Sou muito romântico, gosto de companhia, mas sem esse meu tempo sozinho, não teria tocado projetos pessoais que fazem uma senhora diferença em quem sou hoje em dia. Sempre quis fazer a diferença na vida das pessoas e da minha maneira achei uma maneira de impactar semanalmente mais de 15 mil. Nunca faria isso namorando, os textos não existiriam da forma como existem. Não teria conhecido pessoas com as quais não me imagino sem hoje em dia, não teria feito viagens que me renderam histórias pra uma vida.

E acho que todo mundo precisa desse tempo pra si mesmo.

Estar solteiro é crescer sem se preocupar se a pessoa irá te acompanhar, é ter espaço pra se desenvolver. De que vale mergulhar em alguém raso? Ir de cabeça enquanto o outro lado tá pondo o pé pra descobrir a temperatura da água. Eu aprendi a voar e quero voem comigo. Não nasci pra carregar ninguém.

Bruno Amador – clique para me conhecer melhor

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Bruno Amador