Cai o outono, deixando os dias mais curtos, as peles mais branca e os cabelos mais escuros. As roupas ficam menos coloridas e mais dicromáticas, destacando cada vez mais o brilho dos teus olhos. O ar gelado esconde coxas e ombros, deixando tudo mais contido e – um pouquinho – sem graça. As folhas no chão se esvoaçam com os ventos das frentes frias, os corpos buscam se aquecer em bebidas mais quentes e a cerveja gelada é trocada pela tequila que desce fervendo.

Os casacos grossos saem do armário e aquele cheirinho de coisa guardada predomina o metrô. A locomoção é lenta, assim como os beijos, assim como os abraços, assim como o flerte. Tudo corre um pouquinho mais devagar no inverno, pra poupar energia e diminuir o tempo fora das cobertas.

Só que você, meio sem querer, traz primavera por onde passa. Consegue ser colorida de jeans e jaqueta. Tua bochecha e nariz vermelhos quebram essa monotonia invernal e colocam cor nos dias, os teus olhos acabam me servindo de guia sob os cobertores e o teu sorriso como motivação pra continuar escalando o teu corpo. O ar, agora quente, revela teus ombros e coxas e as subsequentes marcas, sempre de carinho, que acabei deixando por onde passei.

O teu jeito de menina faz os dias nublados, serem mais azuis e menos cinzas. O teu jeito de mulher faz dos meus cobertores, palco de um show que só você consegue dar. Brisa no verão, mormaço no inverno, você conseguiu superar meu jeito fechado e virou a garota que meus olhos perseguem na multidão.

Na medida certa, teus beijos me conduziram da minha casa até a porta da tua. Você subiu e pediu pra eu aparecer amanhã. Meio embasbacado pela cena de te ver subindo as escadas eu só concordei. Teu vestido cheio de flores esvoaçava enquanto o vento batia nas tuas pernas.

Voltei pra porta do teu prédio no dia seguinte, a cena era recorrente e eu já sabia até o nome do teu porteiro, meses se passaram desde a primeira vez que você me chamara de cara de pau por me convidar pra dormir contigo.

Antes de subir decidi passar numa lojinha na esquina do teu apartamento, comprei um buquê de rosas e entre a tua cara de surpresa e o teu abraço apertado, disse baixinho no teu ouvido uma das frases mais sinceras que já saíram da minha boca. As flores sempre combinaram contigo.

E esperando que pra cada rosa eu ganhasse um beijo, resolvi exagerar. 30 flores. Uma pra cada semana que me perdi nos teus braços.

Bruno Amador – clique para me conhecer melhor

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Bruno Amador