A gente quer cumplicidade. No fundo, no fundo, tudo o que conquistamos até aqui não é nada se compartilharmos apenas com nós mesmos. O afago de olhar nos olhos de alguém e perceber que ali existe um orgulho imenso de quem você se tornou é indescritível. Não buscamos o amor, puro e simples, pelo menos não à longo prazo.

Somos movidos por uma onda de sentimentos no início: somos montanha russa, somos o vai e vem. Altos e baixos de hormônios aflorando e tudo o que sentimos é irracional. Mas, isso passa, com o tempo as coisas mudam. Ficamos menos obcecados e grudentos. Somos mais tranquilos. A calmaria da estabilização de um relacionamento toma conta de nossas almas. E nessas horas, é importante demais ter alguém pra dividir nem que seja uma breja ao comemorar as pequenas e simples coisas que se conquista.

E é bonito demais acompanhar essa transformação. Teus trejeitos acompanham os meus, suas qualidades e defeitos se misturam nas minhas, e acabamos formando uma só sintonia, que pede pra ser exagerada o bastante, para que ambos possam perceber o que ficou daquilo tudo. Um caminho trilhado que mostra o rastro de boas lembranças.

E no final, meu amigo, é só esse olhar de satisfação que vai restar. De que valeu a pena, logo no início, há três anos atrás, você abrir mão de toda a “liberdade” que possuía pra viver em uma liberdade conjunta. Duas asas te fazem voar, mas são ainda mais fortes quando alguém te carrega no colo.

Eu trocaria todas as recompensas por esse teu olhar. Essa forma meiga de dizer que tá tudo bem. O instante quebrado no tempo e congelado que torna uma fixação de apenas alguns segundos, em um momento de horas quando você recorda isso. Essa vontade louca de dizer tudo que sinto, mas que sei não se fazer necessário. É tudo dito com um olhar recíproco, como uma valsa de pares de íris.

Talvez a gente se entenda até bem demais e nem todo mundo seja assim. Mas, o que eu falo com os sentimentos, você traduz no pensar. Essa é a verdadeira sintonia, essa é a verdadeira cumplicidade.

Lucas Fiorentino 

@lucasfiore_

Lucas Fiorentino