Abro esta carta avisando e deixando claro, ela é pra você. Mas não pense que guardo qualquer rancor ou raiva, a maturidade me trouxe algo que eu não experimentava há muito tempo. A capacidade de entender o outro lado da moeda. E eu sei que nem sempre as coisas saem como a gente quer, se até o tempo muda de um dia pro outro, imagine as pessoas.

Por isso começarei o texto, falando de mim.

Eu sempre insisti muito nos meus rolinhos. Eu discuto, converso, debato, aguento meses até realmente me dar por vencido. Sou muito aberto, muito flexível e deixo isso transparecer o máximo que posso, nunca combinou comigo o tipo ciumento e sei que não adianta tentar prender uma pessoa se ela não quer ficar contigo.

Mas chega uma hora que a mensagem não chega mais. Não por falta de sinal, ou porque o WhatsApp saiu do ar (de novo), mas porque o destinatário encontra-se ausente. Chega uma hora que a preguiça é maior que a vontade, que a indiferença supera o carinho, que o comum vira raro e você vira só mais um. E essa é a hora de deixar ir.

Às vezes você tem que se pôr acima da história e entender que nem sempre os contos de fadas têm finais felizes. Principalmente quando ao invés de fadas, eles envolverem pessoas. Pessoas são instáveis, gostam e desgostam em um mês, pessoas vão embora enquanto outras chegam, descumprem promessas, batem portas. Pessoas não dizem adeus. E isso não é culpa delas, ou sua, só acontece.

Nunca existiu um jeito certo de se relacionar, cada um é cada um, tem gente que se entrega muito, tem quem seja fechado, tem quem não seja feito pra se relacionar, ao menos não contigo.

Amor próprio é essencial nesses momentos. Entender que quando a tua conversa tem mais verdes que cinzas por semanas seguidas, tem algo de errado. Entender que quando a ausência fica (muito) maior que a presença, tem algo de errado. Entender que quando o “nós” virar “eu” e “você” é que essa história, acabou. E não existe DR, não existe briga, não existe argumento que possa reconstruir essa história.

Já escrevi alguma vez que chega um ponto que cansa. Sem saber bem quando aconteceu, mas para mim ficou claro que esse ponto chegou.

Esse ponto chegou depois que eu deixei entender para que lado essa coisa que a gente tinha seguia. Esse ponto chegou quando eu insisti em ir em frente e você quis fazer uma curva, tentei voltar pra te fazer caminhar comigo, mas assim como todos os meus esforços no último mês, essa caminhada foi em vão.

Não dá pra trazer ao teu lado alguém que insista em ficar separado. Não dá pra aquecer uma pessoa fria. Não dá pra conversar sem respostas. Não dá pra esperar alguém que nunca chega. Não dá pra gostar uma vez por mês. Não dá pra gostar sem reciprocidade.

Não dá.

Eu terminei e pra você, a gente nem tinha começado.

Então pode ir, é melhor caminhar sozinho do que com alguém que te puxe pra trás.

Bruno Amador