RESPOSTA DO TEXTO: NÃO DEMORA PRA CHEGAR

Tu… Tu… Tu…

“Oi, é a Beca! Você está na minha caixa de mensagem, deixe seu recado que te respondo mais tarde!”

Piiiii…

Você marcou horário com alguém que nunca foi amigo do relógio. Esqueceu de fazer o joguinho do marcar sempre meia hora antes para que eu chegue na hora, porque quando eu apareci na nossa pracinha, você não estava lá me esperando. Eu fui egoísta, amor. Desculpa! Eu não pensei em você quando parti, mas eu nunca te esqueci. Não vou mentir e dizer que não tentei tirar você de mim enquanto fiquei longe. Eu tentei. Muito. Mas eu conseguia te enxergar até nos aromas que sentia enquanto caminhava na rua. Houveram momentos em que me peguei distraído e, do nada, o vento me trouxe seu cheiro e me fez chorar.

Há muito tempo que eu me arrependi do que fiz e não tive coragem de te procurar por medo. Medo que você não me aceitasse de volta, medo de você ter seguido em frente e o meu sofrimento acabar sendo ainda maior. Fui eu quem fiz a besteira toda, eu sei, mas só de imaginar que tentar consertar poderia ser pior, eu hesitava. Eu fui covarde demais.

Dia desses estava voltando da faculdade à noite e te vi numa cafeteria com algumas amigas. Você sorria tão verdadeiramente, que imaginei estar melhor sem mim. Eu fui até sua casa no dia seguinte na intenção de colocar um ponto final onde eu deixei reticências… mas eu te vi sorrindo novamente pela fresta da porta aberta, e não tive coragem de trazer à tona toda uma dor que parecia já ter passado. A verdade é que eu sou tão covarde que não tive coragem de te olhar e admitir que você está bem melhor sem mim.

Eu não vou te esperar na pracinha até ouvir esse recado e me dar uma resposta. Porque se a resposta for sim, eu não quero estar em um lugar que trará lembranças de um passado que doeu. Se a resposta for sim, eu quero começar de novo e tentar apagar tudo de errado que eu fiz. Eu tô esperando sua resposta, Beca. Não demora para me ligar.

“Mensagem enviada com sucesso!” Pu pu pu pu pu pu pu…

Enquanto caminhava para casa, fui tomado por uma imensidão de lembranças de tudo que te fiz. Pedir desculpas reconhecendo o erro e sabendo que pode acontecer de não ser desculpado, dói demais. Eu que dizia nunca imaginar uma vida longe de você, me vi te mandar para longe por conta própria. Eu queria chorar por medo, sabe? Mas eu me segurava porque eu quem errei. Sabia as consequências que minhas escolhas me trariam, e fiz mesmo assim.

E enquanto caminhava distraído com meus pensamentos, o celular vibrou. Era uma mensagem sua.

“Não tenho condições de te ligar por não conseguir tirar uma palavra da minha boca. Estou tremendo desde que cheguei aqui. Eu estou aqui. Sempre estive. Não marquei meia hora antes porque eu cansei de jogar. A pontualidade foi proposital. Você me deixou sem motivo nenhum. Se nem você consegue descobrir o motivo, quem vai? Eu disse para você não demorar. Quando deu 16:10, eu me escondi pra te ver chegar tarde demais. E enquanto você gravava o recado, eu chorava porque já sabia o que te responder. Você errou, me abandonou, me magoou e mesmo assim, ouviu meu recado horas antes do horário marcado e não chegou a tempo. Grandes mudanças começam por pequenos gestos. Você me fez esperar mais uma vez, quantas mais não faria? Eu cansei de ficar esperando por você. Eu queria saber o que houve, e agora eu sei. Você só não soube estar presente na hora certa. Se você não soube chegar a tempo agora, não consigo acreditar que não vá embora sem motivos novamente. Já doeu demais pra mim, desculpa. É a hora de cada um seguir em frente.”

E a lágrima que eu tanto segurei, caiu. E por mais que estivesse doendo, eu conseguia entender seus motivos. Eu demorei de voltar. Eu demorei pra perceber que não ia deixar de te amar. Eu demorei pra tentar mostrar que minha intenção nunca foi te machucar. Eu demorei pra chegar. E mesmo com a dor, as lágrimas descendo, as mãos gélidas, tremendo, eu precisava me desculpar. E respondi sua mensagem:

– Eu te entendo. Desculpe não chegar a tempo!

 

Stephanie Almeida