Acelerado. Assim meu coração bate quando está contigo. Um leve descompasso ele tem cada vez que o teu rosto se aproxima do meu, me obrigando a respirar fundo antes de te beijar. Talvez por causa da delicadeza do teu toque eu sinta os meus pelos arrepiarem e eu juro pra você, minha pupila dilata. Por um breve momento minha visão se distorce e meus olhos se contorcem pra voltar o foco em você. É uma explosão de hormônios cada vez que penso em ti.

Dopamina, serotonina, oxitocina, adrenalina. Isso tudo por causa de você, menina. Eu precisava fazer essa rima.

Meio embasbacado eu tento entender os teus movimentos, porque todos parecem ser destinados a me envolver de alguma maneira. Nos teus braços encontrei o conforto que não via há algum tempo. Enquanto tua mão segura minha nuca, tuas pernas se entrelaçam na minha cintura e o teu perfume dá novos rumos a minha cabeça sempre tão caótica. Tão caótica a minha vida foi aos poucos brecando com o teu ritmo devagarinho. Desde os beijos até as tuas respostas. Pondo de lado a minha ansiedade e colocando cada vez mais em evidência a tua calmaria.

Em evidência. Isso lembra matemática e a nossa consegue fazer um mais um continuar dando um. E se alguém não acreditar é porque nunca viu a tua elasticidade. Eu sei que talvez isso não faça muito sentido pra você, já que nunca foi muito boa com números, mas talvez você consiga entender melhor se vir aqui esse fim de semana.

Normalmente os convites ficam no meio do texto, mas a tua capacidade de bagunçar meus sentidos acabou. Afetando a escrita. E um pouco da organização gramatical.

A escrita está mais descompassada e relapsa, batendo na mesma tecla de uma forma diferente. Peguei a aquarela e resolvi pintar um quadro inteiro da mesma cor, só que em tons diferentes. A cor era tão linda que fez o quadro virar obra prima, se não aos olhos públicos, ao menos aos teus. Os únicos que fazem sentido nesse caso.

Já que estamos falando de ti, não tem como não falar do arrepio que sinto cada vez que a minha mão toca na tua, tua palma lisa se contrapõe à minha, tão áspera e irregular. Tuas unhas escuras em contraste com a minha pele clara dão tom aos nossos dias, no claro a gente se conhece e no escuro, a gente se descobre.

Descobertos, te aqueço, te beijo e mantenho meu caminho até o cobertor voltar esconder a minha cabeça.

Com o coração acelerado, te observo levantar e caminhar pelo corredor até a cozinha. Com um beijo você repousa a cabeça no meu ombro.

E nesse turu turu turu aqui dentro eu acabei pondo através de batidas numa tela – de novo – a pureza do sentimento que eu sinto por ti.

Bruno Amador