Exagero nas expectativas quando encontro alguém que julgo valer a pena me apaixonar. E com você não foi diferente. Logo que abriu aquele sorriso acompanhado das palavras “você é muito engraçada, além de linda” na noite em que nos conhecemos eu me permiti acreditar que era você. Eu deixei que meu cérebro se desligasse e segui apenas o que dizia meu coração. E ele dizia que eu podia criar expectativas. Que a minha vez havia chegado. Que era você… Mas algumas vezes o coração se engana e coloca a gente em cada roubada, né? E na verdade, o seu sorriso acabou roubando meu coração sem que eu notasse. E de todas às coisas que poderia ter feito com ele, escolheu despedaça-lo e descartá-lo como faz com cada sachê de chá que consome diariamente. Depois que usa não há mais serventia. Eu fui apenas mais um sachê que você usou e jogou fora ao acabar.

O mais triste é meu coração ter se enganado tanto e tão rápido. 💔

No dia em que nos conhecemos a conversa fluiu tão naturalmente. Parecia que eu já conhecia seu interior antes de ver o exterior pela primeira vez. Olha eu me enganando de novo… Você me mostrou o que eu queria ver, e eu me permiti te amar por isso. Quando contei o quanto amava a música Thinking Out Loud, você sussurrou ela para mim. Quando disse o quanto amava vinho tinto, me levou para experimentar de todos os tipos em um dos restaurantes mais lindos que já frequentei. Quando falei que amava filmes clássicos antigos, preparou uma noite com direito a pipoca e coca-cola para os três filmes que escolheu. Você me surpreendeu em cada pequeno detalhe. E mesmo depois de tentar enganar meu coração – que mandava me entregar – enrolando-o por duas semanas para dar o nosso primeiro beijo, eu não consegui me segurar. Eu me deixei levar pelas minhas expectativas.

E quebrei a cara.

A noite maravilhosa era apenas um modo mais rápido para chegar aonde queria: em mim. Depois de conseguir você sumiu como se nunca tivesse existido. Eu te procurava, mas não havia um só lugar que mencionasse sua existência. Você sumiu do mapa! Do meu mapa. Eu me culpei. Dizia que que tinha feito algo de errado, que te espantei, que não foi tão bom para você quanto foi para você. Mas eu havia me enganado… Tinha, sim, sido bom. Mas era para ser bom apenas uma única vez. E foi. Acabou.

Mas eu precisei de mais um pouco para enxergar isso.

Era minha primeira semana de aula na faculdade. Exatos 2 meses do seu sumiço repentino. Eu ainda sentia saudades, mas não como antes. E mesmo que a saudade estivesse diminuindo aos poucos, ainda me culpava e tentava de todo jeito te encontrar e me lembrar de como você era. Ou melhor, foi. Conheci uma garota na faculdade que compartilhava da mesma paixão por vinhos que eu. Resolvi então convidá-la para ir ao lugar que me levou. E em meio a conversa, vi um desconforto no olhar dela que conseguia ser ainda maior que o meu. Para minha surpresa, ao questionar se havia algo errado, recebi uma resposta que jamais havia esperado: “Esse lugar me deixa triste. Conheci um cara há um mês e ele me trouxe aqui. Só que depois que ficamos ele sumiu e parece que nunca existiu. Ainda não me recuperei, tudo bem se eu for embora?”.

Você não imagina o tamanho da minha decepção. E do meu alívio.

Ela foi embora. Mas eu continuei ali apreciando meu vinho e com um sorriso no rosto. Eu nunca fui o problema. O problema sempre foi você. Meu coração pode até ter se enganado, mas o único que perdeu foi você. Eu me permiti te amar, mas você achou que era melhor não ficar mais ao meu lado. E então foi embora. Sem justificativa, sem motivo e sem nem ao menos me avisar. Apenas decidiu que depois da primeira vez não precisava haver uma segunda. Mas eu continuei aqui, ainda te procurando. Mas não estou mais te esperando. Agora que eu entendi quem você realmente é minha vida seguiu. É uma pena você ter um coração tão vazio.

Stephanie Almeida