Meu destino parecia certo. Desde pequeno, ele transmitia o que eu queria que ele transmitisse. Em alguns momentos, eu quis ser jogador profissional de futebol, em outros eu pensei em me tornar um astronauta. Em todos eles, meus sonhos guiavam o que quer que minha vida pudesse se tornar.

Com o passar do tempo, com a idade e com o amadurecimento, a gente coloca um pouco os pés no chão. Mas, uma coisa nunca deixei de sonhar, enquanto estive com você: o famoso final feliz amoroso. Ele não era uma divagação da minha mente, longe, inquieta, que transformava tudo em poeira quando eu voltava ao mundo real. Ele era físico, real e intenso, era uma maneira de trazer todos os meus sonhos ao caos que era a vida sem eles.

Quando te conheci, não pensei nas consequências de tanta dilaceração dentro do peito. Me joguei mesmo, me entreguei e não consegui pensar na possibilidade de não fazer isso. Era como uma necessidade, como comer e beber e dormir, era isso. Não medi o que poderia acontecer, e por um tempo, isso deu muito certo. A gente foi feliz até demais, bem mais do que eu poderia imaginar no começo. Aquilo me alegrava de uma maneira que é difícil explicar, colocar em palavras. Nossas andadas pareciam cirandas num tempo de sol.

E foi sendo assim por algum tempo, que considero bem aproveitado da minha vida. O sonho se tornando uma realidade tão grande que fazia mais parte da minha vida do que eu mesmo. Meus planos eram pensando em você, meus objetivos novos de vida, minhas previsões de futuro em momentos de distração no metrô lotado, e principalmente, minhas poesias.

Ah, sim… Foram tantos versos jogados no ar por ti. Alguns tão bobos, mas tão sinceros que eu nem tive coragem de corrigi-los. Isso pra falar dos que eu lembro. Escrevi tanta coisa que joguei fora, apaguei, mandei pro inferno.

Mas, uma hora parece que o destino muda de repente. Somos obrigados a alterar tantas rotas que a felicidade muda de lugar. Ela dá uma desviadinha pra conseguir repousar no que chamamos de lugar comum. O lugar onde todos queremos estar, tranquilo, calmo e feliz.

Eu só não consigo mais visualizar aonde ele poderia estar agora. Essa nova rota, eu já não sei traçar. Esses novos espaços, sem sentimentos bonitos, mas repletos de amargura, são o que restou. E neles, eu caminho, enquanto busco uma nova direção, seja no mapa da vida, seja no que a vida me der de referência. A gente é mais que alguém pra amar, eu sei, mas é duro saber disso tão depressa.

 

Lucas Fiorentino