Esses dias me peguei pensando sobre a velhice e o passar do tempo. Parece que em algum momento da vida, tudo começa a passar mais depressa. Nossas experiências são mais repetitivas, nossas conversas e nosso cotidiano também. Não passamos por situações tão novas, a não ser algumas que nos levam a perceber que estamos a caminho do inevitável: a velhice que nos aguarda mais para o final da vida.

Tem gente que se desespera com isso. Eu mesmo, não suporto pensar no fato de que um dia não vou conseguir correr o tanto que eu quero, ser tão ágil, ou coisa do tipo. As marcas de idade na pele vão vir, alguns problemas de saúde, esse tipo de coisa. Mas, acho que o principal vai ser a falta da agitação que existe na vida quando se é jovem.

Temos a tendência de nos acomodarmos em alguma situação confortável, conforme a vida passa. Afinal, chegam mais responsabilidades no nosso colo, temos filhos, temos netos, temos uma família onde somos o maior exemplo de responsabilidade. Desse jeito, não dá pra ser tão louco o tempo todo. E o passar do tempo requer um apoio pra que seu emocional se sinta à vontade com os anos diante dos olhos.

Pensei nisso também. Não achei alguém na vida que valesse a pena passar o resto dela. Não sou tão romântico assim, mas eu acredito que isso seja possível. Somos seres que se acostumam com um estilo de vida. E enfrentar todos esses problemas sozinhos deve ser muito chato. Sentir o tempo passar, mesmo que com sucesso profissional, viagens pelo mundo, várias amizades, me parece um pouco vazio se não existir alguém que esteja do nosso lado o tempo todo pra que cada experiência seja compartilhada, mesmo que em histórias contadas.

É bizarro como isso mudou em mim. Eu não tinha esse pensamento, mas reflexões cotidianas me levaram a esse ponto. Eu quero sim, passar muito tempo ao lado de quem eu amo. Eu abdico de várias coisas na vida por isso, como muitas pessoas que eu conheço já abdicaram. Como meus pais abdicaram. O amor faz isso com a gente. Colocamos na balança um peso maior pras coisas que amamos muito.

É esse o tipo de coisa que nos faz continuar por esse caminho. Quando se vê que estamos cuidando bem do que amamos, e principalmente, que estamos sendo cuidados também, o mundo torna-se menos pesado. Envelhecer, sentir o tempo passar, ver como tudo se transforma, nos traz sabedoria e também torna-se menos pesado.

Eu quero envelhecer ao seu lado.

Lucas Fiorentino