No meio de toda essa sua confusão, eu me perdi em você de novo. Você tá aqui agora, outra vez provando mais do que nunca que eu quero muito que você fique.

Cada encontro nosso foi com outras versões de mim, outras versões de você e agora estamos na melhor versão de nós. E, por isso, que eu quero tanto que você fique mais.

Não vai embora logo agora que você respeita o meu silêncio e entende o meu barulho. Não vai agora que eu aprendi a cantar as músicas que só você ouve, não vai agora que eu já li os livros que te encantam. Não agora que a gente chegou no consenso do nome da nossa primeira filha.

Não vai embora e nem me deixa ir embora.

Não me deixa ir porque ainda temos que ficar algumas horas perdidos nas cobertas da sua cama enquanto a gente se encontra. Não me deixa ir porque ainda não ficamos uma noite toda “conversando”. Não me deixa ir porque ainda não fomos nos aventurar por aí.

Não me deixa ir porque a gente já fez planos demais pra deixar pra lá de novo.

Não me deixa ir porque eu tenho que me enrolar mais vezes nas suas palavras difíceis. Porque você tem que me explicá-las de pertinho, mesmo quando eu souber o significado.

Se quiser ir, lembra que as pessoas com as quais nós conseguimos compartilhar um silêncio confortavelmente, são as que temos mais intimidade e que a gente não tem problema algum em compartilhar silêncios. Pra nós, duas – talvez três – garrafas de vinho, um aconchego no peito e nenhuma palavra dita, são suficientes.

Não queria ir porque eu ainda quero ficar mais vezes olhando hipnotizada pros seus olhos, um verde, outro castanho tentando achar qual é o meu favorito, mesmo sabendo, que a combinação deles que é. Quero ficar no seu abraço, que por contraste de alturas, se faz tão confortável.

Quero ver você tentando me desvendar em cada assunto. Quero ver você conseguindo me desvendar e, assim, conhecendo meus pontos fracos. Quero me render a você por ter descoberto meus pontos fracos.

Quero que você seja meu ponto fraco.

Não vamos embora de novo porque eu ainda quero me perder milhões de vezes em você.

Anna Bignami

Bruno Amador