A vida te chama. E quando ela bate na porta, estamos desprevenidos, talvez deitados no sofá olhando pro nada, aceitando aquela brisa da mente que deixa um vazio em nossas cabeças. De repente… Uma voz vem da porta e somos convocados.

Mas, é tão confuso aceitar esse pedido. É estranho nos levantarmos e caminharmos em direção a uma porta que esteve sempre ali, diante de nossos olhos, mas que nunca fizemos questão de enxergar, ou nunca conseguimos, já que a cegueira de traduzir a vida pro nosso entendimento é mais comum do que parece.

Quando a vida nos chama pra viver, não é um pedido simplesmente. É uma súplica. Um grito dado de joelhos no meio da rua pra que todo mundo veja. Sair do marasmo e da preocupação constante torna-se uma necessidade e não mais um novo estilo de vida.

Não é possível caminhar pelos nossos caminhos sem sofrer, sem chorar, sem desentender-se com quem quer que seja. Não é possível flutuar pelos problemas, pelas preocupações, pelos amores não amados do jeito que a gente espera. Não é possível carregar um sorriso no rosto eternamente, do nascer ao pôr do sol, passando pela tarde e o famoso chá das cinco (aliás, café é muito melhor). Mas, também não é possível o antagonismo disso tudo, o passar e deixar o tempo me levar com a maré. É preciso uma saída pra tanta destruição interna, principalmente quando ela é causada por desilusão.

É estranho pensarmos que não nos encaixamos com ninguém ainda. Que tantas experiências, no fim, mal resolvidas ou não, nos levaram até um ponto que é idêntico ao começo. Estamos sozinhos. Mas, estarmos sozinhos não quer dizer estarmos desacompanhados. Sozinho aqui não tem uma conotação negativa, se imaginar que permanecer longe de relacionamentos traga a liberdade de ser você mesmo e transporte o ditado pra vida real “eu dono de mim mesmo”.

Ninguém é teu dono ou tua dona. Ninguém te pertence, também. Só você é seu e sua alma pode alcançar até aonde ela quiser chegar. O problema é que temos uma cultura de que devemos prender um lacinho no pescoço de outra pessoa o tempo todo, porque se não, não sossegamos. Não paramos quietos enquanto a sociedade parar de ver nosso modo de vida como estranho, afinal, quem sai por aí numa noite e pega todo mundo durante tanto tempo assim? Será que essa pessoa nunca encontrou alguém que a fizesse feliz?

E a verdade é que várias pessoas foram encontradas, várias foram amadas, todo mundo saiu feliz. É só que o coração decidiu que ali não era lugar de repouso. E quando ele decidir o contrário, assim será. Por enquanto, ele prefere transbordar amor pra todo mundo, mesmo que não seja tão intenso assim.

Os livros que eu leio me são boa companhia. Os amigos e a cabeça leve também. É assim que eu caminho no momento, e não tenho um coração de gelo por isso. A vida me chamou pra uma aventura sozinho e eu abri minha porta pra que ela entrasse e tomasse um cafézinho comigo (e não chá) antes de partirmos.

Lucas Fiorentino