Reina soberana quando adentra no quarto, seus olhos dizem o que a boca guarda em segredo, não precisa de muitas palavras para se fazer entender, mas nem por isso é de poupá-las. Porque ela fala, fala muito e às vezes se perde em meio às suas sentenças, consegue ligar a série que viu à tarde com a discussão que teve com as amigas uma semana antes.

Seus pensamentos a inundam constantemente. Pensa no futuro, no passado, mas nunca esquece de viver o presente. Seu humor varia com a lua, acorda querendo balada, janta desejando mais que tudo a sua cama, não é de beber, mas gosta de um bar, não é de amar, mas não nega um chamego. Vive na linearidade entre sanidade e loucura, odeia que a chamem de louca, odeia que a achem normal. Ela é “diferente”, como sempre me diz.

Horas em frente ao espelho são gastas nos finais de semana para decidir que roupa usar, a conclusão é que falta roupa pra tanta beleza. Chama atenção e gosta dela, adepta do antropocentrismo, acredita que ela é o centro do universo, talvez não o de todo mundo, mas espera ser o teu. Espera flores, chocolate e pipoca na cama. Nunca soube retribuir toda a atenção que recebe, mas dará seu jeito de recompensar cada mimo.

Não grude, não exagere, seja na medida com ela. A não ser que estejamos falando de elogios, aí ela gosta muito, pede pra parar, mas quer que continue, gosta quando fala dos seus olhos e reparem nos seus detalhes, na pinta do nariz, na unha recém pintada, no novo corte de cabelo.

Menina mandona, gosta das coisas do seu jeito, grita, chora, esperneia, seduz e te convence. Às vezes parece uma criança de tão teimosa.

É humanamente impossível ficar bravo com esse ser por mais de uma semana, você esquece de tudo quando vê o seu sorriso no final do dia. Encanta ao mesmo tempo que te enlouquece, te põe no céu e te joga na cama, provoca, morde, arranha, beija.

Bem leonina ela domina a tua cama, tua boca, teu coração.

Bruno Amador