Em toda a vida terrena e existente, não houve alguém que teve certeza sobre seus sentimentos. Assim, aquele momento em que paramos para refletir e chegamos à conclusão de que superamos algum relacionamento que não deu certo é pura enganação da sua mente.
Pensamos estarmos blindados a todos os ataques que nosso coração pode dar de repente relacionados a essa pessoa. Quem já terminou com alguém sabe bem como é. Depois que passa todo aquele período de tristeza absoluta, noites sem dormir, indecisão na hora de mandar mensagem, na hora de curtir ou não curtir a foto da pessoa, na hora de aceitar convite pra ir em algum lugar. Você não sabe o que pode estragar seu emocional, então é justo que você pondere sobre tudo isso. Só o que vai fazer você amadurecer essa ideia de que está sozinho de novo é o tempo (nosso eterno melhor amigo nas horas de bad).
Mas, digamos que o tempo passou. Você agora é uma nova pessoa. Uma parte do seu círculo de amigos mudou, os lugares que você frequenta também. A forma como você ocupa seu tempo, parte dos seus defeitos e qualidades, tudo mudou. Você se vê independente daquela pessoa passada.
Entretanto, mais uma vez, quem passou por isso sabe muito bem de como isso funciona. O fato de você achar que está “de boa” é uma ilusão. A primeira vez que você se deparar com uma situação desconfortável vai dizer como você realmente está. Isso pode ser uma foto que o(a) ex coloca no Facebook, no Instagram. Você pode pensar que essa pessoa está se divertindo demais com outra pessoa que não é você e isso pode doer bastante. Aproveitando esse período de carnaval, você pode estar saindo do metrô para chegar ao bloquinho e se deparar com sua ex vestida para a festa.
Você não sabe como vai acontecer e, principalmente, não sabe quando. Pode ser que depois de um ano, você ainda se sinta mal ao se deparar com essas situações.
Conforme o tempo for passando, a aceitação vem mais forte e te conforta, deixando você com um pouco mais de paz na mente.
Aceitar que outra pessoa pode ser feliz sem você é aceitar o contrário dessa premissa também. Se ela consegue, você também consegue, afinal, vocês já tiveram tempo suficiente juntos para saber como isso acontece. A sua vida não foi atrelada a alguém quando você nasceu, nem deveria ser assim. Sua vida é, como o próprio pronome possessivo usado diz, sua. Não a dê pra ninguém, no máximo, uma emprestadinha.
E se você achar que é pedir demais que não nos apaixonemos pelas pessoas erradas, saiba que um dia elas já pareceram certas o suficiente.
Toda essa saudade de momentos que passaram juntos pode voltar, toda a mixada de informações confusas na sua cabeça, as brigas e as risadas. Mas, isso fica na memória apenas, não vai acontecer de novo. Fica como aprendizado, fica pra vida. Você só agradece e segue adiante. Não torna-se mais parte do seu ser central, mas parte de uma periferia da sua personalidade, que te amadureceu e transformou-te no que você é hoje.
Lucas Fiorentino