Fazem algumas horas que você se foi.

Acordei, olhei o lado esquerdo da cama e ele estava vazio. Engraçado eu falar sobre o lado esquerdo de algo, afinal o coração fica ao lado esquerdo do peito. E assim como a cama, meu coração também estava vazio. Levantei, preparei aquele café que você tanto amava e depois de algumas horas olhando para a bancada que costumávamos ficar encostados conversando, decidi escrever e te lembrar de como somos – éramos – perfeitos juntos. Não existia casal com mais química que nós dois.

Lembro da primeira vez que saímos, como de costume pedi para que você me esperasse na Paulista, e como de costume, você se atrasou. Lembro como se fosse ontem, não fizemos absolutamente nada naquela tarde, ficamos conversando, a conversa fluía de um jeito tão inexplicável que eu nem vi as horas passarem. A partir desse dia, em todos os seguintes eu sentia alegria misturada com frio na barriga toda vez que ia te encontrar.

Faz um dia que você se foi.

Hoje te mandei uma mensagem, algo pequeno, nada importante. Ok, talvez não tenha sido tão pequeno assim. Mandei um pedido de desculpas. Desculpas por tudo que havia acontecido entre nós. Sei que nada disso foi culpa minha, fiz o que pude para te convencer, mas o teu orgulho falou mais alto. A partir disso eu já não poderia fazer mais nada.

Fazem dias que você se foi.

Hoje me peguei lendo nossas conversas e os textos que você escrevia para mim. Eu amava cada palavra escrita por você, cada apelido carinhoso que você me chamava e amava cada momento que passávamos juntos. Não sei se eu te contei nas nossas últimas conversas, mas eu tenho sonhado muito contigo ultimamente. Dizem que quando você sonha com uma pessoa ela estava pensando em você, mas acho que esse não é o caso. Afinal, fazem dias que você se foi.

Fazem semanas que você se foi.

Hoje conheci um cara, não importa aonde e muito menos como. Ele é incrível. E depois de todo esse tempo, guardei tudo o que eu sentia por você dentro de uma caixa e me livrei dela. Eu não quero que você volte, não quero nada que me lembre você.

Abro meu WhatsApp e a primeira mensagem é dele.

Fazem meses que você se foi.

Hoje eu te vi na rua, confesso que fiquei abalada. Não esperava te encontrar, você me cumprimentou como se fossemos bons e velhos amigos, mas a verdade é que não chegávamos nem perto disso. Sinceramente não acho que dá para cumprimentar uma pessoa com um beijo no rosto sendo que você já conhece os segredos daquela boca além de cada traço do corpo dela.

Cheguei em casa e a primeira coisa que eu fiz foi apagar nossa conversa. Mexer no passado não é algo bom, sempre irá trazer coisas as quais não queremos lembrar. Prefiro me livrar disso logo. Para uns não é algo grandioso, mas para mim, isso se tornou um começo. E se alguém me falasse isso a um tempo atrás eu provavelmente chamaria essa pessoa de louca.

Aquilo era tudo o que restou de nós.

Faz bastante tempo que você se foi.

Lembra daquele cara que eu te falei? Não sei se ele quer algo sério, mas vale a pena arriscar. Não sou mais aquela pessoa frágil que você conheceu e enrolou. Hoje eu descobri que o que eu sentia por você não passava de mera comodidade. Eu era apaixonada pela ideia de estar com você. Deve ser porque tínhamos tudo em comum e com isso estaríamos sempre juntos. E mais uma vez eu me enganei. Hoje eu também descobri que os opostos se atraem.

Voltando no assunto antes que eu me esqueça. Sabe o tal cara? Decidimos deixar rolar e ver no que vai dar. Torço para que dê certo porque como eu disse, ele é incrível. Mas pensando bem, você também era e me decepcionou. Não sei se é coisa da minha cabeça, mas eu acho mesmo que eu e ele combinamos. Combinamos muito. Combinamos tanto que quero ir com calma. Não quero que passe logo. Não quero que caia na rotina igual aconteceu conosco.

Hoje, sem enrolação, sem choro, sem arrependimento e sem drama, eu consigo dizer…

Ainda bem que você se foi.

Heloísa Sartor (clique e confira o blog dela!)

Bruno Amador