Apaguei tudo. O contato, as fotos, os vídeos. Apaguei os snaps de você me fazendo rir, apaguei aquele vídeo que a gente dançava e cantava “Stay with me” olhando um pro outro. Apaguei as fotos que a gente tirava no banheiro da faculdade, apaguei os prints de você fazendo as mais idiotas juras de amor.

Fui tonta de pensar que realmente tinha apagado. Se eu fecho os olhos, ainda consigo ver seu rosto, já me acostumei de achar que era você no meio da multidão. Os snaps não estão mais aqui, mas ainda consigo ouvir o som da sua risada, as caras que fazia pra me fazer rir depois que eu fingia estar brava com você. Não tenho mais o vídeo da gente cantando, mas consigo lembrar perfeitamente do nosso olhar, da minha cara de boba apaixonada. Aquela noite foi a nossa noite e desde que tudo acabou, não consigo mais ouvir aquela música.

As fotos já sumiram faz tempo e eu ainda dou risada pelo corredor da faculdade lembrando das nossas aventuras pra um beijo de 5 minutos – que de repente viravam uma hora. Os prints, que, diferente de mim, algumas amigas ainda devem ter, estão apagados apenas na memória do celular. Lembro de quando você me acordou de madrugada com mensagens que tinha deixado de beijar uma menina por causa de mim. Lembro que me fez prometer que eu nunca ia te magoar. Vacilei de não ter pedido pra você fazer a mesma promessa.

Todos os momentos, cheiros, sensações, infelizmente, isso eu não consigo apagar. Não dá pra fingir que nunca existiu. Mesmo tendo deletado você de todas as redes sociais, ainda aparece na minha mente todos os dias. Nos momentos mais inusitados, minha cabeça trás você em frente. E a bebida – lembra como você odiava que eu bebia? – intensifica isso mais ainda.

Só que da mesma forma que eu não esqueci todas as coisas boas, eu não esqueci de todo mal que me causou. Lembro de cada mentira e cada desculpa sua. Lembro das tardes que você prometia que ia me encontrar e aparecia só a noite mandando uma mensagem cancelando. Lembro das minhas amigas falando pra eu cair fora enquanto podia, mas você pedia pra eu ficar e eu fiquei. Fiquei até mesmo quando eu percebi que não devia ficar. Você me fez sentir insegura, você me colocou em dúvida se eu era tão forte quanto achava, você me fez odiar minhas férias de Dezembro – e olha que eu sempre amei o verão.

E lembro, com todas as sensações, a mensagem que você mandou dizendo que tinha achado outra pessoa. Lembro que demorou pra minha ficha cair. Aquela noite eu não dormi. Como podia, tão de repente, ter achado alguém? E o resto foi só choro. De repente, eu fui obrigada apagar tudo. Mas eu como eu disse no começo, do que adianta apagar, se ainda tá tudo aqui?

Anna Bignami

Bruno Amador