Ela olhou pro sol. A pele já corada por causa dos quarenta graus que pousavam sob sua silhueta desde o começo de tarde. Não era uma tarde qualquer. Não era só mais um dia que tinha a praia como plano de fundo. Era uma nova perspectiva que entrava em sua mente.
Colocou a mão sob seus olhos, para tampar um pouco da luz, mas logo viu que era essa mesma luz que devia deixar passar. Seu momento ali era pleno, sua alma flutuava com o balanço do mar e o som das ondas quebrando na orla.

Lembrou de tantas coisas que não deram certo em sua vida, entre elas, tantas paixões não correspondidas. Porque deu errado o que deveria dar certo? Porque a vida tinha dessas enganações? De repente, ela refletia sobre isso, só que as chateações e mágoas não incomodavam mais. Eram apenas devaneios e fruto de mente desocupada. Ela conseguia até rir de tantas situações em que passou nervoso.

Aquele cara que não gostava de saia curta, aquele outro que não gostava muito da companhia dos seus amigos, e tem até aquele que não deixava você dar risada na mesa de jantar. Tanta coisa preocupante que se foi, e agora ela era livre pra ser quem quiser. Pra mostrar pro mundo quem era. E que todos enchessem seu ego mesmo, pois a alma merece um pouco de aconchego depois de tanta decepção.

 Uma coisa era a dependência de outra pessoa. Agora, ela era completa por si mesma, cheia de amor próprio e idas a praia numa tarde de domingo. Os tempos sombrios de dia nublado sumiram com a sua preocupação. A vida não era mais tão cinza e seu olhar suave juntamente com seu andar, mostravam isso com clareza.

O segredo de ser feliz estava no seu sorriso. Sua toalha de praia era como uma cama de sonhos. Sua semana de férias era como o merecido descanso de quem se dedicou tanto num período longo de tempo. Ela era a personificação da pureza e da simplicidade que momentos bons da vida costumam ter. Era o ambiente em si, era o moreno da pele, o suor escancarado. Era a flor que brotava nos quiosques e também todos os castelinhos de areia. Não existia algo mais pra ser dito por quem ali passava. Era a certeza de um dia bem vivido, na companhia de si mesma.

 E seu segredo tão exposto, na verdade não era segredo nenhum, senão a própria verdade escancarada. Ela permitiu-se ser a própria vida. Dane-se aquele cara chato que reclamava do seu jeito de falar ou de opinar. A plenitude encheu-a de atitude, confidência e fugas praianas de vez em quando.

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Lucas Fiorentino