Separo os dias por categorias um tanto quanto peculiares. Não apenas em bons, neutros ou ruins, pois a vida transborda inovações e apegar-se a clichês é no mínimo tedioso.

Há dias em que dormir não vem como função biológica natural do ser humano, mas como válvula de escape. Dias que a cabeça está na lua, na China, no teto, em Marte mas não grudada no pescoço. Dias que cansaço triplica o peso da coluna, das pernas e principalmente da mente. Dias em que as lágrimas resolvem brincar de escorrega nas bochechas, a cabeça dói, os maus pensamentos vêm. Das críticas nada construtivas, das comparações, das expectativas alheias, das cobranças…tudo isso se encaixa naquele tipo de dia em que pegar no sono é mais aliviante que coca-cola em calor de quarenta graus.

Há também aquelas 24hrs infestadas de rotina. Nada novo, nada velho, só o famoso de sempre. Um sorriso aqui, outro ali, as horas parecem fluir. Um estresse cá, outro lá, mas nada que uma inspiração profunda e uma contagem regressiva não resolvam. 10,9,8…”vamo que vamo”. Acorda, vai, faz (não pensa demais), anda, pra um lado, pro outro. Tira uma preguicinha, ou sei lá, o que o dia permitir. A noite, uma reza de gratidão, ou talvez não, não sei da sua religião. Se o cotidiano cansou, feche os olhos e aproveite a loucura que é em meio a mesmice do dia-dia, sonhar com aquilo que o inconsciente grita. Talvez você lembre, talvez não.

E agora finalmente. Você deita. Incrédulo com a felicidade daquela realidade, que antes ora monótona, ora triste, te pendura um sorriso enorme no rosto. Tente fechar os olhos. Impossível. O sonho está sendo vivido acordado. Frite como um bife na cama até achar uma posição: vai demorar. Sua mente precisa de alguns minutos para assimilar seus sentimentos, sua alegria que gradativamente, se transformará em paz. A paz inscrita na risada de canto de boca, com os olhos fechados, ao lembrar do que te fez tão alegre naquele dia. Antes eufória, agora serenidade de encontrar-se num estado de conforto pleno, cabeça leve, coluna ajeitada e suas pernas…mal poderá senti-las. Melhor ainda, é acordar de manhã, riso interior, alma relaxada e a certeza de que tudo vai ficar bem; mesmo não tendo realmente essa tal certeza, afinal, quem tem?

Percebe? Dias são mais que bons, ruins ou neutros. Carregam uma carga gigantesca de sentimentos, de sensações. Estas, podem enquadrar-se em uma de minhas categorias, ou em duas ou quem sabe todas. Não há limites para analise e interpretação. O interessante é focar-se no “tipo” de dia mais desejado, acredito que seja o último citado. O que te fez sentir assim? Uma gentileza, uma surpresa? Um estado de espírito, uma sobremesa? Não sei, cada um tem seu motivo, a frigideira que na cama te faz virar o tal do bife, que pula de posição em posição para lidar com a alegria. Quer saber o que te faz feliz? Então pense: como você foi dormir hoje?

Carolina Ferraz