Eu não sou de me apaixonar fácil. Sempre fui o cara mais “solto” entre meus amigos, aquele que o pessoal zoa de vez em quando por não conseguir parar quieto, não conseguir ficar sossegado em alguma festa. Aquele cuja necessidade e divertimento em algum ambiente dependia de ficar com alguém, se não o rolê não teria valido a pena. Mesmo que eu estivesse curtindo, que estivesse com meus amigos por perto, essa necessidade me consumia e eu precisava daquilo por algum motivo que nem eu mesmo sabia.

E gostava de ser livre, descompromissado, desatrelado de alguém. Sem dar satisfações, chegar em casa a hora que queria e não precisar mandar mensagem de meia em meia hora. Parece que você tem um peso a menos nas costas e na consciência nessas horas. O problema de ser uma pessoa como eu é quando você acha ela.

E eu achei. Percebi que ela era diferente de todas que eu já havia conhecido, logo de cara. Não acredito muito em coisas esotéricas, mas ela carregava uma aura boa, de paz e alegria, que ninguém conseguiu me transmitir antes. Pensei que era uma admiração pela sua personalidade (o que não deixava de ser verdade também), mas no fundo estava apaixonado. E quando se é descompromissado assim, como saber o que é uma paixão, o que é amor de verdade, e o que é apenas um caso pra você?

Só sei que nunca soube lidar com isso. E transformei-a em uma fraqueza minha. Uma parte da realidade que eu não conhecia ainda e não sabia como reagir. Ela me deixava bobo, ela me tinha. E foi com ela que eu aprendi algumas das maiores lições que levo pra vida.

Ela gostava de falar sobre esse tipo de coisa que não acredito muito, sobre coisas esotéricas, sobrenaturais. Signos, mapas astrais, corpos áureos, feng shui, entre outros. Simplesmente, eu não entendia nada. Mas, no fundo, eu nem ligava. O que importava era ouvir sua voz, bater um papo, passar um tempo juntos.

E foi assim que fui afundado por uma âncora de ilusões e não correspondência. A gente não sabe quando isso vai acontecer. E aconteceu comigo dessa vez. Eu a queria muito por perto, eu dei tudo de mim, ignorei meu orgulho e a minha desmotivação pra esse tipo de coisa, encarei de frente toda essa situação. Mas, isso não foi suficiente pra que a alma dela mudasse de opinião

Sua alma foi feita pra fugir. Pra ser livre. Ela não pensava racionalmente, porque pensar assim não tem graça. Pensava com o coração, porque dessa maneira, a gente surpreende até a nós mesmos. E esse é o melhor tipo de surpresa na vida. E que vida, ela tinha. Diferente de todas que eu já vi. Aquela pessoa que te chama para lugares exóticos, que acha linda toda a beleza do mundo, que vive o planeta do jeito que ele é e a gente reclama. Eu já disse que nunca a entendi, provavelmente nunca entenderei. Mas, ela sabia como fazer desse lugar, um paraíso terreno.

Ver a graça em coisas pequenas, ver a emoção nos olhos de pessoas comuns e desconhecidas, ver a felicidade em garrafinhas de refrigerante com seu nome.

De vez em quando, sinto que ela pensa em mim, como eu penso nela. Me pergunto o que ela aprendeu de novo, que novas surpresas ela sentiu, que sensações descobriu, que lugares visitou, quantos ela fez com que se apaixonassem por sua alma.

Sua bela alma, que como um pássaro, não foi feita pra ser guardada. Foi feita pro mundo.

 

Lucas Fiorentino – clique para me conhecer melhor.

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Lucas Fiorentino