“Não vai embora não, fica mais um pouco”. E eu começo a inventar desculpas pra você ficar. “Quatro da manhã é muito muito tarde, perigoso, melhor não ir”. Como se você não tivesse seus 18 anos nas costas e um Uber que te deixa na porta de casa. Veja, o sono é melhor quando tenho você. Os pés entrelaçam e o abraço aquece do ar condicionado “no talo” que talvez eu coloque de propósito, só para ter você ainda mais perto de mim, num friozinho alá Colorado que infelizmente naturalmente a gente não tem .Mas isso é tudo hipótese.

Mão dada, mão boba e a gente vai se acertando do deitar ao levantar. Netflix and chill? Nada de chill. A tv fica ligada mas a gente assiste aos olhos, ao corpo um do outro. Mar de cobertores, Your body is a Wonderland ao fundo e o ar condicionado no talo já não faz mais efeito: tá quente demais, e você sabe o por quê. O mar de cobertores secou, foi parar em algum canto perto da janela ao lado da cama. A partir de agora o tempo para e eu conto momentos, não horas, minutos, nem segundos.

O tempo para, mas passa muito rápido. Eu sei, esses paradoxos que o amor nos brinda são insuportáveis. Seja 20 minutos ou 3 horas, quando eu vejo já é hora de me deitar. A vontade e o desejo incansáveis nos queimam os famosos atps (texto de vestibulanda, acostumem-se) e trazem a tranquilidade da paixão que foi colocada em prática. Vou me encaixar perfeitamente no teu abraço (ou no seu peito porque você prefere ao invés da conchinha), e fechar os olhos com tranquilidade porque o meu melhor amigo me acolhe nessa realidade louca que a gente vive. Não há espaços pra contar carneirinhos, apenas para carinho nos braços. Um beijo, eu te amo e o dorme bem que no dia seguinte se transforma: dormi extremamente bem.

Acordar e deparar-se com o sonho de realidade. A reciprocidade de um olhar e um bom dia “bocejado”. Atrasada ou não eu não quero sair dali. “Adiar” uma, duas, três vezes, até que rotina me arrasta a força. A sereia do copo branco é a cereja do bolo para um dia que se inicia da melhor maneira possível. Um abraço, um beijo e eu boba com o café na mão. Todo afazer é mais leve, as tarefas menos me afligem. Problema é deitar-se depois.

A cama arrumada, vazia, Tv desligada. Ar condicionado não é tão necessário quanto antes, e o tempo…o relógio realmente tá de mal comigo, buchecha! Tá diferente, é a saudade que deita comigo. Eu tento mas não me aguento: “Dorme comigo sábado?”

Carolina Ferraz