Ela acordou com olhos inchados e dor de cabeça, olhou – se no espelho e estranhou o que viu. Era a silhueta da amargura, logo ela que sempre foi luz, agora refletia a sombra de dias felizes que se afogavam no passado. Estava esgotada, não queria mais se enxergar assim, sentia falta do sorriso branco que destacava seu bronze. E de súbito decidiu mudar.

Prendeu os cabelos no topo da cabeça, colocou sua música favorita da Ana Carolina, e com olhos marejados, junto seus panos de bunda e deixou um bilhete na porta da geladeira: “Adeus querido, vou refazer minha vida longe de você. Não me procure e não se esqueça de regar as plantas, cuide delas melhor do que cuidou de mim”.

E saiu, deixou pra trás futuros olhos inchados e prováveis novas dores de cabeça de um problema já antigo. Bateu a porta e jogou a chave por cima do muro. Subiu a consolação, com lagrimas misto de tristeza e alegria pela liberdade que estava sendo alcançada, parou no bar mais próximo e tomou uma dose de cachaça com mel, queria amortecer a dor no peito e a seriedade das bochechas. Funcionou. Quando deu por si já era tarde, o sol tinha tombado do céu, dado espaço para a lua e ela tinha ganhado sete novos amigos de copo. Com eles ela riu, chorou e cantou Elis. Estava embriagada de velho barreiro e com as lembranças de um amor que a dissecou e por fim se esgotou.

Resolveu ir embora, andou pelas calçadas olhando pra cima. Subiu a Paulista e desceu para 9 de julho. Pegou o ônibus sem olhar o letreiro, não sabia o destino certo, mas estava determinada a recuperar o único amor que deve ser eterno – o próprio.

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