“Natalia!” Berrei ao vê-lá no shopping, ela olhou para trás e esboçou um sorriso, veio em direção à mim e perguntou o que eu estava fazendo lá, disse que precisava comprar umas roupas, ela me respondeu que estava indo à um café, me convidou para ir junto, aceitei o convite. Começamos a pôr o papo em dia e perguntei se ela se lembrava do dia que me conheceu, “A única coisa que eu me lembro com certeza daquele dia, foi que a sua cara estava coberta de espuma, o resto é incógnita!” disse ela rindo de mim. “Poxa como assim!? Nós dois éramos os foliões mais bonitos da praia, seu rosto lotado de confete super combinava com minha barba de espuma” respondi em tom de brincadeira.

Nos conhecemos na praia, no carnaval desse ano, o excesso de bebida me fez ir embora cedo das ruas no primeiro dia, por isso não pude conversar muito com ela, mas de alguma forma consegui seu número. Marquei de encontra-lá no dia seguinte, no mesmo lugar, no mesmo bloco, ela chegou com um grupo de amigas e óbvio que eu também não estava sozinho.

Ela era linda, uma beleza exuberante que você só encontra aqui nas terras tupiniquins, tinha um olhar profundo que parecia revirar a minha alma, sua voz acelerava meu coração, seu toque era suave e sempre marcante. Tinha um quê de bagunça consigo por isso conseguia ficar linda mesmo com o cabelo todo bagunçado por causa da chuva que havia caído momentos antes. A blusa grudada no corpo mostrava as suas curvas e provocavam todas as pessoas ao redor, tinha uma roda de caras próxima dela quando me aproximei.

Fui meio sem jeito, garotas bonitas assim costumam intimidar e a minha cara de pau não estava tão aflorada, não havia bebido o suficiente ainda.

As tentativas de conversar eram impiedosamente interrompidas pelas pessoas que nos cercavam, concluímos após um tempo que seria impossível continuar ali, avisamos todos que iríamos dar uma volta e nos dirigimos até a praia. A lua iluminava o mar e a areia, reluzindo nos seus olhos e no cordão de prata escrito “Natalia” que repousava sob o seu peito. Subiu meu rosto, falando que a boca dela era mais para cima, sorri e disse que não tinha notado aquele cordão no dia anterior, me contou que foi um presente da mãe, ganhou ao fazer quinze anos.

Fomos nos conhecendo melhor enquanto nos aproximávamos da água, o som das ondas entravam como música aos meus ouvidos, o som da risada dela complementava a melodia, ela insistia em querer saber o que era o roxo que aparecia no meu pescoço e eu fazia de tudo para evitar responder a pergunta, mas a Natalia se revelou uma pessoa particularmente insistente e fui obrigado a responder que havia tido um remember com a minha ex namorada na noite anterior, imediatamente ela se afastou.

“Como assim?” Botei a culpa na bebida e expliquei melhor a situação, ela riu de mim e disse que não se importava, complementou dizendo que me faria esquecer o nome da bendita até o fim da noite, me arrisquei e perguntei como ela faria isso, olhando para cima, deixou o branco da lua repousar sob o seu rosto antes de responder, “eu dou um jeito, relaxa”. Até hoje quando me lembro dessa cena sinto um arrepio na espinha. Acabei o copo que tinha em mãos e ela fez o mesmo.

Continuamos nossa caminhada, agora voltando aonde estávamos bem perto do mar, ela perguntou se eu carregava comigo algo que estragaria se fosse molhado, respondi que não, meu celular estava em casa, foi eu virar para o lado que recebi uma enxurrada de água no rosto, antes que eu pudesse reagir ela segurou minhas mãos, me soltei a puxando pela cintura, direcionei minha boca à dela e o resto é história.

Enquanto caminhávamos de volta, agora subindo em direção à rua, ela me perguntou se eu lembrava do que havia acontecido ontem, sorri e respondi “eu te conheci”. Satisfeita com a resposta continuou a caminhar. E voltou às suas amigas, ficamos meses sem nos encontrar e de vez em outras trocávamos mensagens.

Vi que ela estava terminando o chá e perguntei se ela não queria fazer algo hoje, ela segurou a minha mão e olhando bem fundo nos meus olhos disse:”Amor de carnaval não sobe a serra”, sorri de volta e concordei. “Mas mais tarde eu vou numa balada aqui perto” complementou. Não subiu a serra, mas chegou no blog. Seu nome? Natalia.

Bruno Amador