Havia marcado de encontrá-la no bar às 10, eu felizmente preferi busca-la em casa ao invés de ficar sentado no bar sozinho esperando a fofa, já imaginava que ela iria enrolar, mas me quebrou em dois quando mandou mensagem às dez em ponto dizendo que estava pronta, eu estava deitado e fui obrigado a sair correndo, não seria eu o atrasado dessa vez. Ela comentou que estava louca pra sair de casa por isso se arrumou rápido, queria se distrair e esquecer trabalhos, notas baixas e todos os problemas. Entrou no carro reclamando do ex namorado que não parava de ligar e do coração que não o deixava de amar. Me preocupei, mas algo dentro de mim me dizia que a noite seria boa.

Vestia uma sapatilha, um vestido meio florido e usava um casaco branco, Marcelo Camelo podia até sofrer quando via a Ana passar, mas a parte sempre tão linda era a Julia. Ela me deixa sem ar cara. Ela tem um jeito quietinho, bem mineirinho, vem cativando pelas pontas e quando você vê, ela abocanhou seu coração inteiro.

Estávamos a caminho do bar quando ela resolveu falar “Eu não tava muito afim de bar, queria comer algo”, eu não sou uma pessoa paciente, mas a serenidade com que ela falou anestesiou todos os nervos do meu corpo, perguntei se ela não queria ir no japonês, sorriu e concordou, pediu desculpa pela mudança em cima da hora e comentei que não tinha problema algum. Tinha acabado de pegar o carro então evitei fazer baliza, não queria passar uma má impressão logo no primeiro encontro, deixei em um estacionamento próximo ao restaurante e fomos ao restaurante. Tinha uma pequena fila de espera, sentamos em uma mesa do lado de fora e assim que me sentei pedi uma cerveja, ela pediu o mesmo, ela já era linda, ficou ainda mais quando soube da sua paixão por cervejas.

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Ficamos conversando um tempo e de alguma maneira o assunto foi parar em viagem, me contou da vez que foi a Nova Iorque, perguntei onde ela havia ficado e descobrimos que fomos na mesma época e ficamos há apenas uma quadra de distância, “o destino quase aprontou ali mesmo ein” disse em tom de brincadeira, ela sorriu e concordou, não irei comentar sobre o sorriso dela porque já virou cliché eu elogiar sorrisos. Por um breve momento fiquei imaginando como seria a cena dela em um daqueles arranha-céus com a cidade Nova Iorque ao fundo, criei mentalmente um plano de viagem para nós, passearíamos no Central Park, iríamos à algum jogo do New York Giants e óbvio que não poderíamos deixar o Hard Rock e um passeio na Times Square à noite de fora.

O garçom chegou com as cervejas e perguntou se podia anotar os pedidos, disse que sim, ele começou a falar aquele monte de nome que ninguém entende, eu só copiei a Julia, se ela pediu pedra eu receberei pedra, ao finalizar o pedido ela pediu uma borrachinha para comer com o hashi, não poderia deixar em branco e comentei que isso era coisa de criança, momentos depois me arrependeria de ter dito isso, mas isso não vem ao caso no momento.

Ela perguntou para qual time eu torcia, respondi que era colorado, torcia pelo Internacional de Porto Alegre, confusa ela quis entender como um carioca, morando em São Paulo torcia para um time do Sul, expliquei que o meu pai é gaúcho e perguntei qual era o time dela, irei omitir a resposta porque a intenção é toda Julia se identificar com o texto e porque o time não é digno de ser falado, eu havia acabado de achar o ponto podre dela.

Ela começou a falar da faculdade e me explicou diversas intrigas que envolviam suas amigas, uma ficou com o ex da outra, aí deu uma senhora briga, muito complicado para eu entender, nunca vou ter essa capacidade feminina de fazer duas coisas ao mesmo tempo, estava focado nos pratos que vinham em nossa direção. Logo no primeiro salmão que fui pegar, derrubei. “Parece que o jogo virou não é mesmo?” A minha cara de derrotado entregava o jogo, mas me recuperei “é que você me deixa nervoso”, soltou um riso bobo e pude continuar firme com meu hashi sem borrachinhas, permaneci o resto da noite sem acidentes.

Quis saber um pouco mais da minha vida e eu queria saber um pouco mais da dela, perguntei se ela não queria fazer algo depois dali, mas ela negou disse que teria que acordar cedo no dia seguinte, não comprei muito, mas aceitei. Pagamos a conta e fomos para o carro, ela escolheu umas músicas e até que eram músicas boas, não conhecia nenhuma. O caminho foi curto, em dez minutos já estava parando o carro, já havia aceitado que a noite acabaria daquele jeito, pensava pelo lado positivo, tinha ganhando uns pontos para uma próxima vez. Antes de sair do carro ela me olhou e pediu desculpa por ter que ir tão cedo e me agradeceu pela noite, antes que eu pudesse falar algo ela me beijou, abriu a porta e disse “até semana que vem” fiquei meio idiota, completamente mudo, riu de mim, antes de fechar a porta.

Seu nome é Julia.

Bruno Amador