Fernanda não é só nome, Fernanda é verbo. Intransitivo, diga-se. Se fincar o pé, não move mais. Imperativo, também, porque adora dar ordem, mas jamais vai admitir isso para você. Fernanda, aliás, vai te dizer que não dá ordem, só pede com carinho. E se você for esperto, você entendeu o recado.

Fernanda, inclusive, não vai esquecer que te pediu algo com carinho. Não consegue esquecer, porque tem uma lista de lembretes sempre a mão. Tem tudo dentro daquela lista: desde data de conta pra pagar até “lembrar de relembrá-lo que não esqueci que ele prometeu que ia fazer aquela coisa”. E você tá lascado, porque ela é igual ao despertador de manhã: você só consegue dar “snooze” temporário, ela vai voltar logo. E você vai ter que levantar!

Fernanda pode ser Fê, no Rio. Pode ser Fer, em São Paulo. E Pode ser Nanda nas duas cidades. A cara dela não vai esconder muito bem qual ela prefere. E, se ainda assim você não notou, ela vai “te pedir com carinho” para chamar por esse ou aquele. Fernanda, por vezes, deixa de ser verbo e passa a ser flor. E deixa de ser intransitiva para transitar livremente entre períodos de rosa a orquídea. Rosa, porque consegue ser tão obviamente linda, mesmo usando o básico do mais básico entre uma camiseta velha com jeans. Já no período orquídea, faz questão de te lembrar como é irretocável em seus vestidos. Fernanda poderia usar um macacão de obra e ainda assim te arrancar suspiros. E se você não suspirar, ela vai te lembrar de suspirar, ela não esquece, lembra?

Não é sempre, mas algumas vezes a Fernanda estará para praia como o azul está para o mar. E a mão dela estará para a sua cara se você esquecer o filtro solar, que ela te lembrou três vezes de pegar. Rimou, para mostrar que às vezes a Fernanda pode ser poesia. Mas, por sorte, ela tem um filtro reserva na bolsa. Fernanda tem sempre uma carta na manga, um remédio na bolsa, um creme na gaveta e um bloquinho de notas, como já falamos.

Fernanda é única, embora partilhe o nome com muitas. Tem riso fácil, mas só para quem conhece o seu senso de humor. É produto da mídia com orgulho: já dançou Britney, cantou Backstreet Boys e, se a Madonna fizer um tour em seu centenário, ela vai de novo. Pela trigésima quarta vez. Fernanda é amiga e será a sua melhor amiga, ela tem um talento de fazer amigos que só perde para seu dom de sempre manter os mais velhos amigos por perto. E antiguidade pra ela ‘e posto, sinto muito, ela sempre lembra das suas origens.

Fernanda vai te fazer procurar um lugar pra sentar naquela loja de departamento imensa, porque é liquidação e ela tem que aproveitar. Ela sabe que é liquidação porque está no mail list de todas as lojas. E você vai ter que esperar, nem sempre sentado. Não é boa ideia tentar apressá-la. Se insistir no erro, ela vai te “pedir com carinho” pra ir passear. Mas fique tranquilo: ela sempre vai ter um presente pra você, no final. Ela não esquece. Ela ama dar presentes, mais até do que receber presentes. E não é fácil dar presentes para ela … esqueça o óbvio, o ululante e passe longe do genérico. Dinheiro em envelopes ou “gift card” te renderão um olhar de desprezo maquiado de sorriso amarelo egípcio. E daí em diante você estará morto. E ela vai lembrar de pedir pra alguém te enterrar. Ela vai ter anotado.

– Rafael Cosentino

Curta nossa página! E se você tiver um nos siga no tumblr e Instagram (umquartodepalavras).

Também estou no Instagram e no Snapchat como @brunoamador

Se você tiver alguma crítica, sugestão, elogio ou só queira falar conosco, mande um e-mail para umquartodepalavras@gmail.com.

Bruno Amador