Era uma manhã gelada em São Paulo quando meu telefone vibrou me acordando, “Luiza” apareceu no display com a mesma foto que está na capa do texto, até a foto sabia que estava frio. Atendi e percebi que estava no viva-voz, odeio falar no viva-voz, exigi que ela tirasse para continuar a falar, como você pode notar eu não acordo de bom humor. Ela perguntou o que eu faria mais tarde, disse que tinha acabado de passar na prova e queria comemorar, “eu tinha me esquecido que hoje era sexta” comentei. “Mas hoje é terça!” Me respondeu, ri um pouco e refleti, eram onze da manhã, numa terça-feira e ela queria sair para “comemorar”, algo que costuma envolver festa. Eu não sei se todas as pessoas são assim, mas o meu ânimo de manhã é nulo, ainda mais em dia de semana, por isso eu só consigo fazer planos na sexta à tarde. Respondi que pensaria em algo e mandaria mensagem mais tarde.

Ficamos conversando por mensagem um tempo, ela demorava um século para responder como sempre e no finalzinho da tarde ela me pergunta de novo, “O que vamos fazer hoje?”, mandei a real e disse que não queria fazer nada. Mas se você não sabe Luiza é um nome germânico, que significa “guerreira gloriosa” – obrigado Google – e se tem uma coisa que essa garota é, é guerreira. Insistiu, disse que não queria ficar em casa, propôs balada, vetei, propôs bar, titubeei, mas neguei, disse para ela ir procurar as amigas dela, eu realmente estava sem vontade nenhuma, me respondeu que as amigas dela tinham prova no dia seguinte “nerd maldita” pensei comigo mesmo.

Ela veio com restaurante, comer é uma paixão que ambos compartilhamos, depois de pensar um pouco, aceitei. Disse que me encontraria no restaurante porque já estaria no shopping fazendo sabe-se lá Deus o que, eu nunca vou entender a atração que há entre mulheres x shopping. 9 da noite lá estava eu, cachecol, touca e um casaco grosso, esperando a dondoca dar às caras, estava tão frio que digitar no celular era difícil, as articulações estavam duras.

Ela chegou me cumprimentou, pegou a minha mão, pulou a fila de espera e entrou, jurei por um instante que ela tinha reservado uma mesa, mas acabamos indo para a área externa do restaurante, no caso, o bar do restaurante. Ela conseguiu me arrastar para um bar no final das contas. Encarei ela tentando fingir que tava puto, mas o sorriso que ela dava me desmontou, sentei e pedi uma dose de vodka, “se é para comemorar vamos fazer direito né”, seu sorriso aumentou, ela se animou e pediu um drinque que eu nunca vou saber pronunciar o nome.

Ela é sonhadora.

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Começou a falar das aulas, que não aguentava mais e agradeceu a Deus pelas férias – ela sempre esquecia de agradecer a mim pela ajuda – joguei na cara dela que estava de férias há uma semana, olhou para mim com cara de deboche e acabou o copo. O garçom imediatamente apareceu perguntando se queríamos algo mais, fiquei impressionado com a eficiência e pedi o mesmo que ela, que repetiu o pedido. O garçom voltou com 3 copos, comentou que um era de cortesia “ao casal mais bonito do bar”, éramos o único casal.

Mas nunca vou recusar bebida grátis, nem pensei em argumentar que não éramos um casal, ela meio sem graça pegou o copo e deixou em cima da mesa. Bati de leve o meu copo com o dela e dei um golão, ela tentou fazer o mesmo, mas engasgou, a Luiza é meio sem jeito com as coisas e isso é uma das coisas mais divertidas nela, isso e ela tentando ser brava, seu tom de voz nunca vai parecer sério para mim. A noite foi avançando e de repente os copos na mesa se multiplicaram. Quando me dei por mim tinha desistido de digitar e estava mandando áudios, as palavras digitadas estavam irreconhecíveis, era um dialeto próprio.

Ela também estava chegando ao seu nível alto de embriaguez, você percebe isso quando ela começa a falar muito de coisas que não costumam ser assunto entre vocês, tentou falar sobre futebol, balbuciou algo de política e finalmente começou a falar dos seus sonhos, queria conhecer o mundo, alimentar as crianças na África, ter uma casa cheia de cachorros, passou pela paz mundial e se eu fosse enumerar cada um dos sonhos que ela já me contou, iria fazer um livro.

Conclui que já era hora de pedir o táxi, fui com ela para casa e ela pediu para irmos na piscina, não entrar nela, mas ficarmos ali nas mesas em volta, ela foi na frente com a lanterna do celular ligada, quase caiu na escada e finalmente chegou nas espreguiçadeiras. Deitou em uma delas, olhou para cima e viu o céu cheio de estrelas. Suspirou fundo e com um brilho nos olhos disse “eu quero ir pro espaço”. Seu nome é Luiza, quer o impossível e as vezes sem querer acaba conquistando os corações alheios. Vive com a cabeça nas nuvens, pés no chão e um sorriso no rosto. Sempre.

Bruno Amador – clique para me conhecer melhor

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