Recomendo que ouça essa música enquanto lê o texto:

Foi me empurrando para fora da cama ordenando que eu achasse logo o controle da televisão, estávamos há tanto tempo deitados vendo série que o Netflix queria certificar que ainda estávamos vivos, manja quando aparece aquele aviso “você ainda está assistindo tal série?” chegamos nesse ponto. Rolei para fora da cama e busquei o controle no escuro, claro que não achei. Liguei as luzes e entre um xingamento e outro dela achei o bendito escondido entre as cobertas, confirmei que estávamos vivos e voltei para a cama. Me perguntou que horas eram e eu respondi que não tinha noção, olhou seu celular “Porra é uma da tarde, por isso eu tô com fome.

Era feriado de Corpus Christi e de coração, se dependesse de mim eu ficaria lá na cama o feriado inteiro, mas a Rafaela tinha que abrir a janela. Viu o Sol que fazia lá fora e foi ao banheiro. Fiquei deitado, rezando para que ela não saísse com bíquini – a preguiça era tamanha que entre vê-la de bíquini e ficar deitado escolhia a segunda opção – chamou pelo meu nome abrindo a porta do banheiro, fui devagar e antes mesmo que eu pudesse abrir a porta “amarra pra mim?”. Aceitei meu destino amarrei o seu bíquini e fui me trocar. A pior parte de ir para a praia e ser branco como eu é a parte de passar protetor, caso eu esqueça fico igual um pimentão durante uma semana e começo a descascar na outra, algo bem nojento de se ver, não sei como alguém sente prazer em arrancar as pelinhas das queimaduras de Sol.

Fomos almoçar na rua, entramos no restaurante de regata e chinelo ambos, algo que seria um ultraje em qualquer restaurante em São Paulo, mas felizmente estávamos na praia, o que tornou a vestimenta aceitável. Pedimos macarrão e eu já sabia que iria me sujar com o molho, é praxe. O que não era praxe era a Rafaela se sujar, mas por algum milagre ela acabou sendo o motivo da risada de nós dois. Botou o macarrão na boca e foi fazer alguma graça, não sei explicar como, mas ela acabou com molho na testa, me empurrou para trás me chamando de idiota enquanto eu ria dela, passei o guardanapo na sua testa e ela sorriu meio sem graça “Dei uma de você né?”, respondi que nem eu seria capaz de tamanha proeza.

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Cara era um feriado no fim do outono e o Sol estava a pico, não estava calor, mas também não estava frio e mesmo assim a areia estava queimando os pés. Eu nunca vou entender o clima do Brasil. Fomos andando devagar até a nossa barraca e deixei as coisas ali enquanto ela se sentava, fui em direção ao mar para dar uma acordada, mas rapidinho desisti, a água estava gelada, como se alguma corrente de água vindo direto da Antártica estivesse passando por ali. Voltei com o mesmo sono que tinha quando fui, meu corpo estava massacrado da festa que tínhamos ido na noite anterior, minhas pernas bambeavam e minha cabeça doía absurdos, a ressaca faz qualquer jovem de 20 anos ter a idade física de um cara de 70.

A filha da mãe estava deslumbrante, eu não sei como, mas ela não tinha olheiras ou qualquer coisa que indicasse cansaço, como se o sono dela fosse realmente um sono de beleza, observava ela olhando o mar com o cabelo cheio de tranças que a mãe dela havia feito minutos antes e desacreditava da beleza do ser que estava ao meu lado. Na verdade na minha diagonal, mas ao lado fica mais poético vai.

Ela se move como uma atriz em cima do tapete vermelho. É graciosa nos movimentos, seus pés mal deixam marcas na areia onde pisa, se não fosse pela sua altura poderia ser modelo. Foi em direção a alguma barraca e voltou com um coco na mão, me ofereceu um pouco, mas eu fingi que não ouvi, minha cabeça estava em outro mundo, buscava palavras para descrever o que via, era um daqueles momentos de inspiração que eu não poderia deixar escapar. “Você realmente vai ficar nesse celular?” Olhei pra cima e notei que a sua expressão não era muito amigável, resolvi para o texto por aqui. Seu nome é Rafaela e odeia não ter atenção.

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Bruno Amador