Algumas pessoas podem achar que tentar te convencer de algo pode soar como se eu estivesse tentando fazê-lo acreditar naquilo que não quer, mas te conheço o suficiente para saber que você não é assim. Jamais deixaria alguém forçá-lo a acreditar em uma coisa que simplesmente não está afim. Discutiria comigo durante o caminho de volta para casa todo, a noite toda, a semana… Qualquer tempo que precisasse para que eu parasse de tentar te empurrar alguma ideia garganta abaixo. Ou apenas me mandaria ficar quieta. Então deixo claro que a minha intenção é te convencer a ficar. Ao menos um bom motivo eu hei de te dar.

Você acabou de chegar, não precisa ir embora tão cedo. Acomode-se, só espero que não se importe com o sofá meio antigo ou com a poeira sobre os móveis. Acenda seu cigarro e vamos discutir sobre filmes novamente, talvez falarmos um pouco sobre a minha nova série favorita, a qual sei que não te agradará em nada. Nós podemos fazer algum tipo de comida simples por preguiça de cozinhar, ou se não, podemos pedir comida chinesa para que você ria de mim quando descobrir que, na verdade, eu nunca comi China In Box.

Não estou dizendo que precisamos jurar o famoso “para sempre”, assumir qualquer coisa ou ainda fazer planos para um futuro distante, mas seria legal poder rir um pouco mais contigo, ter um pouco mais de diversão juntos. E com isso digo todo tipo de diversão, desde as brincadeiras bestas como aquela do vinho e das caretas feitas um pro outro, como as mais pervertidas.

Concorda comigo que seria legal se a minha mania de fazer carinho no seu queixo toda vez que você deita no meu peito virasse uma coisa nossa. Me ensina tudo o que você puder sobre todas as coisas que quiser, sempre me interessei por caras inteligentes e seguros de si por causa disso. Pega minha cintura mais algumas vezes, me colando em você, deixando que eu deite minha cabeça no seu ombro, eu já devo ter mencionado, mas eu amo o seu abraço.

Não tenho certeza sobre sua opinião com relação ao destino, porém tenho de te dizer que eu acredito, viu? Talvez seja por isso que me recuso a pensar que este elemento, que conspira com o universo, tenha te posto em minha vida para simplesmente sair assim sem mais nem menos, sem nem tentar de fato largar esse medo de se magoar. É culpa minha, desculpa, devia ter te adiantado, não farei nada que te machuque. Não de propósito.

Não faço ideia da onde isso vai dar e nem se isso precisa dar em alguma coisa. É que eu não espero que vivamos felizes para sempre, também não pretendo controlar seus dias, por isso que te falo, não sou igual as outras que já passaram pela sua vida. Como é que tenho certeza? Bom, se eu tivesse toda a oportunidade que elas tiveram, e se dependesse de mim, ainda estaríamos juntos.

Quero que me fale quando não gostar de algo, me avise quando eu estiver errando. Me conte se cometer algum deslize, confie em mim quando precisar de ajuda. Não sou o tipo de pessoa que troca amizades por um cara, mas também não sigo o estilo que desiste do companheirismo que mantínhamos na amizade só porque agora nos beijamos. Não sei se é errado definir o que tivemos como amizade, já que foram apenas poucos meses, mas foi você o primeiro a me chamar de amiga, a dizer que estava comigo e que podia contar contigo. Não sei. Todo esse rolo para te contar que, se quiser ou precisar de uma companheira, estou aqui.

Eu gosto quando consigo te fazer sorrir, gosto da ideia de estar te fazendo bem, de imaginar que conseguiria te fazer sentir tão especial quanto talvez nunca tenha se sentido. Não farei nenhum tipo de magia ou sequer oferendas, mas valorizarei cada riso aberto seu, cada abraço com um pedido silencioso para não soltar. Prometo entender seus momentos e suas inseguranças, do jeito que você prometeu compreender as minhas. O que acha de tentarmos assim? Que mal fará juntar minha vontade de felicidade, de te fazer feliz, e a sua de esquecer aquilo tudo de ruim que já te fizeram?

Deixa que nosso riso se prolongue por um pouco mais de tempo, talvez muito. Deixa que esse sentimento gostoso de paz que sinto quando estou com você prevaleça. Deixa que te faço mais algumas piadas sobre seu sobrenome, até que você me mande calar a boca. Deixa que eu morda seu pescoço durante o beijo. Deixa que eu acredite em você quando me elogiar. Deixa que eu confie em você para o que der e vier, confiando em mim também. Deixa o tempo nos levar para onde ele e o destino quiser, pare de pensar. Deixa a máscara de menino forte – aquele que não precisa do soprinho leve e fino no machucado depois de passar o remédio – cair. É só deixar, que eu cuido de você.

Mas, se mesmo assim, você decidir partir, eu entendo. Só não vá longe demais, vamos manter essa nossa coisa viva, só que sem beijos de despedida.

Pamela Müller

Ela escreve no Sentindo por aí, depois dê uma olhada lá…

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