Ele estava sentado ali observando as pessoas e avistou aquela menina, rosto redondo e um sorriso que provocava covas nas bochechas, covinhas são algo que ele prezava em uma mulher, com cabelos que cobriam parte do seu busto ele se esgueirou para tentar avistar o que estava por trás daquele monte de cabelo, típico homem ele, nem tão típico assim, ele se encantava muito mais com o sorriso do que com aquele corpo que dividia a atenção dos seus olhos.

Se aproximaram de uma forma bem diferente, ela foi literalmente empurrada pra cima dele, enquanto conversava com um amigo, aparentemente bêbado, tomou um empurrão enquanto seu amigo caía no chão, ele a segurou para evitar a queda e foi ajudar o amigo dela que estava no chão, aquilo chamou a atenção dela, não a ajuda que ele dera à pessoa estatelada no chão, mas o jeito que ele a segurou, como se ela fosse algum tipo de diamante, segurou-a delicadamente, mas firme, como um pai segura um filho.

A risada que ele deu ao levantar seu amigo ecoou por horas em sua cabeça, aquele som era apaziguador, ela dormiu com ele na cabeça, ele dormiu olhando a foto dela no WhatsApp. Ah esqueci de mencionar, eles trocaram números caso ela precisasse de alguma ajuda com o amigo, muito astuta a sacada por parte de nosso mocinho, esse era um dos traços que ele mais gostava de ter, ele tinha respostas rápidas para conseguir seus objetivos, o telefone dela virou um objetivo de prioridade durante a noite.

Sábado de manhã ela olha o celular e lá está “ e aí seu amigo tá melhor”, ela inicialmente acha que ele é gay tamanha a preocupação que ele tinha com seu amigo, opinião contrariada após alguns dias de conversa ele a chamou pra sair, ela tinha gostado dele, não era o mais bonito que já havia visto, mas foi o que mais a agradou de longe, ele meio que virou uma peça essencial no dia dela, o primeiro encontro deu uma brecha pro segundo, ele esqueceu seu casaco com ela, sem querer óbvio, que deu brecha pro terceiro afinal ele pagou o cinema, que deu brecha pro quarto, afinal a cama dele é muito confortável.

Mas ela tinha essa coisa de não querer se comprometer e conforme ele ficava mais próximo, ela ficava mais distante, ele mexia no cabelo dela e sorria, ela olhava pra cima e pensava no que aquilo ia dar, mas ela não conseguia deixar de vê-lo, ele era de fato uma peça essencial no dia dela, tão essencial que ela já dava o número dele como contato de emergência, até que um dia entre os tantos quartos encontros deles, ele não se conteu e soltou um “eu te amo”, daqueles que entram na alma, olhando em seus olhos e arrepiando até sobrancelhas ele disse, e repetiu imaginando que ela não havia ouvido, ela ficou lá, estática, sem saber o que responder, mudou o assunto e ficou mais alguns minutos, tempo o suficiente pro dia de Sol, ficar nublado, pegou suas coisas e foi embora.

Ficaram sem se falar por meses depois daquele incidente, o “evitar compromissos” dela impedia ela de o chamar, e a omissão dela o impediam de chamá-la, até que um dia ela o vê andando na rua e sabe um daqueles momentos que você tem uma péssima ideia, mas no momento parece genial? Isso aconteceu pra ela, ela respondeu o eu te amo dele, disse que o amava e que ele não havia saído da cabeça dela pelos últimos meses, acontece que ele, ele havia encontrado outro Sol, não queria mais tempos nublados, encontrou um Sol de 1,80, 85kg e sotaque caribenho, seu nome? José.

Bruno Amador