Era pra ser simples, sem complicações e direto ao ponto, sem mimimi, uma relação sem nada sério. Simples, eu te chamo você vem, você chama eu vou, sempre que precisarmos teríamos um ao outro. Era pra ser uma amizade que por trás dos panos teria contornos de romance, mas sem o envolvimento e exclusividades essenciais que caracterizam tal ato.

Era pra ser esporádico, deveria acontecer as vezes, em momentos de necessidade, quando os dois quisessem, os dois não deveriam querer toda hora. Esporádico, não toda vez que nos víssemos, não deveria existir essa troca de mensagens constante nem esse ciúme latente cada vez que um sai a noite.

Era para ficarmos com outras pessoas sem peso na consciência, era para não nos incomodarmos com a distância. Era pra eu usar a cópia da sua chave quando eu não tivesse onde passar a noite, era para as minhas meias e cuecas ficarem longe do seu guarda roupa, era pras suas maquiagens ficarem longe do meu banheiro, não era pra ter uma escova sua do lado da minha, muito menos fios dos seus cabelo loiros no chão do meu banheiro, não era para ligarem na minha casa atrás de você. Era pra ser tudo, menos amor. 

Bruno Amador