Assalto, foi isso que aconteceu aqui em casa, ligo para a polícia, eles pedem para eu não tocar em nada até eles chegarem, admito que será uma cena engraçada. Eles chegam e rapidamente começam a verificar tudo em busca de digitais, ou qualquer coisa que levem ao assaltante, encontram as suas roupas no sofá, o seu batom no meu copo, e diversos outros itens seus. 

       Me perguntam como foi, digo que não sei, passei a noite com você, uma noite atípica admito, você estava linda como nunca, e usava o perfume que eu adorava, usava uma blusa com um decote tentador e sua saia me deixou com torcicolor, você me arrancou sorrisos com uma facilidade que eu nunca vi, e falava comigo sobre os mais diversos assuntos, mostrou interesse até para entender um pouco de futebol, como eu amo esse clima de copa, o seu cabelo estava preso do jeito que eu amo, e eu não sei porque, sua pele estava diferente, você estava radiante.  

     Quando nos beijamos o mundo parou por um instante e um formigamento tomou conta do meu corpo, nunca tinha me sentido desse jeito antes. Dentro do carro você me fitava com os olhos, ficava com a mão sob minha perna, sabia como me provocar, nos beijamos no sinal fechado, no hall, no elevador, em casa. O delegado arregala os olhos e rapidamente pede um exame de corpo de delito, o exame mostra diversas escoriações nas minhas costas provocadas pelas suas unhas, além de marcas de mordida por todo meu pescoço, um bochicho toma conta da delegacia e diversas viaturas saem em disparada. 

    Uma hora depois a polícia bate em sua porta, e lê o mandato de busca e apreensão, você estava presa, o crime ? Roubar meu coração. O crime é inafiançável e você está condenada a cumprir toda a pena lá em casa.

Bruno Amador